Bestas de lugar nenhum

CRIAÇÃO: Companhia de Teatro de Sintra – Chão de Oliva
PRODUÇÃO: Chão de Oliva
AUTOR: Uzodinma Iweala
ENCENAÇÃO: Paula Pedregal
DATAS: de 24 novembro a 11 dezembro
Qui a Sáb.: 21H30 | Dom: 16H00
LOCAL:
Casa de Teatro de Sintra
CLASSIFICAÇÃO ETÁRIA:
M/14
RESERVAS:
219233719
BILHETES ONLINE: AQUI

Sessões especiais, com conversa após o espetáculo:

27 NOV | 16:00conversa com o público sobre Direitos Humanos com a doutora Daniela Nascimento, investigadora do Centro de Estudos Sociais, integrando a Linha Temática Democracia, Justiça e Direitos Humanos, e professora Auxiliar no Núcleo de Relações Internacionais da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra.

Membro da AKTO – Direitos Humanos e Democracia, que tem como missão fomentar a Educação, a Promoção e a Intervenção em Direitos Humanos e Democracia, enquanto fatores estruturantes de uma mudança positiva na construção de um mundo justo e equitativo.

Sobre o Espetáculo

Bestas de Lugar Nenhum, de Uzodinma Iweala, conta a história de uma criança – soldado.

É que há lugares onde as guerras parece que não acabam nunca: guerras civis, religiosas, pelo poder… Nessas guerras, nesses lugares, há crianças que sobrevivem, mas ficam desamparadas: sem mãe, sem pai, sem irmãos, sem alimento, sem escola, sem futuro; ficam à mercê dos senhores das guerras.

Agu é uma dessas crianças. O pai, antes de ser morto, grita-lhe que fuja e corra para que o inimigo não o apanhe. Mas Agu acaba por ser encontrado, raptado e obrigado a combater. Ao longo da história, debate-se com o medo de morrer, e de matar.

É um espetáculo triste. Quase sem esperança. Desperta em nós o horror, uma revolta e uma incompreensão perante o absurdo da guerra, e dos homens bestas. Mas também nos interpela, e faz pensar, e sentir compaixão.

Colocar este texto em cena levanta muitas questões. Trata-se de adaptar à cena uma obra literária, cujo narrador é uma criança. Uma criança que nos relata toda a espécie de atrocidades que é obrigada a cometer na guerra. Afinal, estamos perante o drama das crianças-soldado. E este texto não é para brincadeiras, nem para teatro de entretenimento. É assim como um murro no estômago, ou no peito…

A opção de escolher três atores que se desdobram em várias personagens e que partilhem, também, entre si, o mesmo personagem – Agu, o menino-soldado – representa uma solução estilística que deve contribuir para uma bordagem mais experimentalista da narração da história, convocando nos atores recursos expressivos que se traduzam em diversos registos de representação. Acresce que a nível dramatúrgico optou-se pela não-linearidade da narrativa, “agravada” por recurso a anacronias.  A escrita cénica assim o exige. E a opção por uma estética não-realista.  Até porque visa a prossecução de uma poética de cena que traduza a ingenuidade e a violência; fragilidade e a brutalidade; de uma criança que se confronta com a morte, com Deus, com as lembranças da família, da sua aldeia, da escola, da infância roubada.

Muito haveria a dizer sobre a conceção plástica, ou a criação do espaço sonoro e música, que concorrem, igualmente, para a construção de uma imagética, que nos ajuda a construir outros sentidos e significados para além dos que a dramaturgia deslindou e os atores traduziram e sugeriram com os seus corpos, vozes, gestos, emoções e entendimentos. Mas o público irá, certamente, querer descobrir por si.

sobre a encenadora

Paula Pedregal

Paula Pedregal, nascida em Lisboa em 1968. Formada em Teatro na ESTC de Lisboa, em 1992 e em Encenação em 2000. 
Desenvolve a sua atividade como atriz, encenadora, professora de teatro e codirectora artística no Centro de Difusão Cultural Chão de Oliva.
Estudou a técnica O Método para o Actor, com Marcia Haufrecht, em vários Workshops; participa em diversos Workshops realizados pelo Sector de Teatro do Serviço de Belas Artes da Gulbenkian,
nomeadamente, pelo Odin Theatre e pela bailarina brasileira Rossela Terranova (Equilíbrio/Desequilíbrio).
Inicia a carreira de atriz no Teatro da Cornucópia em 1990 na peça Muito Barulho Por Nada, de William Shakespeare; participa como atriz em vários projetos do Teatro da Garagem; em projetos de teatro pontuais (Canção dos Oceanos, encenação de Rui Vilhena; Chuva de Verão, no Teatro da Comuna).
Participa ainda em vários projetos para televisão e cinema, nomeadamente, novelas, sitcoms e séries (no elenco principal de: Na Paz dos Anjos; Terra Mãe; Vidas de Sal; Trapos e Companhia; participação pontual: Banqueira do Povo, Policias, Jornalistas, Desculpem Qualquer Coisinha, etc; participa no filme de Luís Filipe Rocha, Passagem da Noite; no filme de Patrice Chéreau, A Rainha Margot; no filme de Eyal Halfon, The 90 Minutes War.).
Adapta e encena a Crónica dos Bons Malandros, de Mário Zambujal; encena As Criadas, de Jean Genet, na Companhia de Teatro Chão de Oliva; Faz a adaptação para teatro da obra literária de Miguel Cervantes, Dom Quixote de La Mancha.
Lecionou a disciplina de Oficina de Expressão Dramática (9ºano e 12º ano) em escolas particulares e públicas (Colégio Académico e, na então designada, Escola C+S de Apelação-Loures); deu aulas de Teatro em diversos projetos da Câmara Municipal de Lisboa (projetos de “Sensibilização à Criatividade e à Leitura”, em escolas do Ensino Básico; projeto “Contigo Vais Longe” em diversas Juntas de Freguesia); dá aulas de Interpretação, durante vários anos, nas Oficinas de Teatro do grupo de teatro brasileiro Os Satyros.

sobre o autor

Uzodinma Iweala

Uzodinma Iweala, autor de origem nigeriana, nasceu em 1982 nos EUA. Licenciou-se na Universidade de Harvard onde recebeu o prémio Hoopes pela sua tese de fim de curso, cuja orientadora foi a escritora Jamaica Kincaid. Foi esta tese que deu origem ao romance de estreia de Iweala, Bestas de Lugar Nenhum, considerado o melhor do ano pelas revistas Time e New York. O livro recebeu inúmeras menções e prémios um pouco por todo o mundo, entre os quais se destaca o prémio Sue Kaufman da Academia Americana de Artes e Letras para melhor primeira ficção. Adaptado ao palco em 2007 com o título Nine Finger, o espectáculo resultou de uma co-criação do coreógrafo Alain Platel, do actor Benjamin Verdonck e da bailarina Fumiyo Ikeda.

Iweala divide o seu tempo entre os EUA e a Nigéria, onde desenvolve trabalho humanitário.
The Africa Center

SOBRE O GRUPO DE TEATRO

Companhia de Teatro de Sintra - Chão de Oliva

Companhia residente do Chão de Oliva – Centro de Difusão Cultural, a Companhia de Teatro de Sintra (CTS) foi a primeira estrutura profissional de teatro a ser criada em Sintra, em 1990, mantendo, desde então, uma atividade contínua de criação.

O crescente reconhecimento do trabalho desta Companhia reflete-se em convites para a participar em festivais e colaborar em coproduções com várias companhias e estruturas portuguesas e estrangeiras, como são o caso, entre outras, de A Comuna – Teatro de Pesquisa, Companhia de Teatro de Almada, Teatro Praga, JGM, Teatro da Garagem, Mala Voadora, Compª Cuarta Pared (Madrid), Teatro Matarille (Santiago de Compostela), Grupo Teatro Por Que Não? (Santa Maria, Brasil), Grupo Lareira Artes (Maputo, Moçambique), CACAU-Fundação Roçamundo (São Tomé e Principe), Fladu Fla (Cabo Verde).

SOBRE A EQUIPA

Atores

O 𝗔𝘁𝗰𝗵𝗼 𝗘𝘅𝗽𝗿𝗲𝘀𝘀, ator guineense, a fazer mestrado em Teatro e Comunidade na ESTC, é um contador de histórias e contamos com ele para contar esta história de dor e sofrimento, da única forma possível: com verdade. A verdade de quem sabe, na pele, o que é a guerra.

O 𝗖𝗮𝗿𝗹𝗼𝘀 𝗔𝗯𝗿𝗲𝘂 𝗲 𝗟𝗶𝗺𝗮 fez a sua formação artística na Escola do Chapitô, e depois em França e Espanha. O seu percurso artístico, para além de passar pelo circo, na disciplina de forças combinadas, passa ainda pelo teatro físico e pela música (como percussionista). E é com o ritmo e a precisão do trabalho físico do rapaz do circo que iremos contar esta história.

O 𝗛𝘂𝗴𝗼 𝗦𝗲𝗾𝘂𝗲𝗶𝗿𝗮 é um ator formado pelo TEC e na ESTC. Desenvolveu o seu trabalho entre o teatro, a televisão e o cinema. Pelos inúmeros palcos por onde passou, e com @s grandes mestres do teatro português, desenvolveu uma técnica irrepreensível. Mas é com a profundidade e sensibilidade, que caracterizam o Hugo, que esta história é contada. E com muita emoção e delicadeza.


Equipa Criativa

CENOGRAFIA E FIGURINOS
Maria Luiz (pseudónimo)

Ingressa em 1989 na Escola Superior de Teatro e Cinema, iniciando a sua formação no Curso de Realização Plástica do Espetáculo. Regressa em 1998 para fazer o CESE em Teatro e Educação. Uma década depois conclui formação na primeira turma de Mestrado em Teatro e Comunidade.

Em 1994, surge o interesse pelo ensino das matérias com que trabalha e a partir dessa data tem mantido uma atividade pedagógica constante, como docente em diferentes graus de ensino e como formadora em projetos pontuais com instituições diversas.

A sua atividade profissional tem abrangido diferentes áreas do espetáculo como a cenografia ou a luminotecnia, mas são os trabalhos de figurinos a sua área de eleição.

Foi assistente de João Vieira, José Manuel Castanheira, Maria Gonzaga e Pedro Cabrita Reis. Em projetos pontuais trabalhou com: Carlos Cabral, Dinarte Branco, Elsa Valentim, Gastão Cruz, João Santos Lopes, João Silva, Jorge Silva, José Peixoto, Luís Assis, Luís Bragança Gil, Miguel Seabra, Natália Luiza, Nicolau dos Mares, Nuno Pino Custódio, Paula Pedregal, Pedro Oliveira, Pedro Tavares, Pedro Sena Nunes, Rui Sena, São José Lapa entre outros.

Andante Associação Artística, Grupo de Teatro Terapêutico-HJM, O Bando, Teatro dos Aloés, Teatro Meridional, são alguns dos grupos com quem trabalhou.

É membro fundador da Associação Portuguesa de Cenografia.

ESPAÇO SONORO E MÚSICA ORIGINAL
Abel Arez 

Professor Adjunto da Escola Superior de Educação de Lisboa, onde preside ao Departamento de Formação e Investigação em Artes e Design e coordena a Licenciatura em Música na Comunidade desenvolvida em conjunto com a Escola Superior de Música de Lisboa.

No âmbito dessas funções, tem desenvolvido trabalho na formação e acompanhamento de práticas de Músicos na Comunidade, Animadores Socioculturais e Mediadores Artísticos e Culturais.

Obteve, em 2018, o título de Especialista em Música na Comunidade conferido pelo consórcio constituído pelo Instituto Politécnico de Lisboa, Instituto Politécnico de Coimbra, Instituto Politécnico de Santarém e Universidade de Aveiro.

Enquanto investigador, tem-se envolvido em projetos de investigação nas áreas da Arte Comunitária e dos processos de Desenvolvimento Comunitário com ela relacionados de que são exemplo os projetos de investigação Particip’arte, Integr’arte e Commus – Fazer Música, Viver Comunidade.

Como músico, tem desenvolvido trabalho na área da composição, dos quais se destacam os espetáculos “m’Água” (encomenda da Faro Capital da Cultura); “Pulsar” Associação de desenvolvimento e Património de Mértola; “A Darker Shade of Fado”, com o apoio do Arts Council England e “FADO: History and Soul” (encomenda do King’s College, Londres).

FICHA ARTÍSTICA e TÉCNICA
Encenação: Paula Pedregal
Autor: Uzodinma Iweala
Tradução: Carla da Silva Pereira
Interpretação: Atcho Express, Carlos Abreu e Lima e Hugo Sequeira
Música Original: Abel Arez
Cenografia/Figurinos: Maria Luiz
Desenho de Luz: Marco Lopes – Show Ventura
Execução e Montagem Cenográfica: Luiz Quaresma
Operação Técnica: Show Ventura
Bilheteira: Paula Malhado
Frente de Sala: Myriam Lopo
Técnica de Limpeza: Gina Prazeres
Assessoria de Comunicação: The Square
Comunicação: Cláudia Faria
Fotografia: Filipa Vieira
Direção de Produção: Nuno Correia Pinto
Secretariado e Apoio à Produção: Cristina Costa
Direção do Chão de Oliva: Nuno Correia Pinto, Paula Pedregal e Susana C. Gaspar
Financiamento: Direção-Geral das Artes e Câmara Municipal de Sintra.